Colunista: CLAUDIO ROBERTO
Educação

Condenados ao atraso e a dependência


Descrição:No Índice de Inovação Global, elaborado pela escola de administração Insead, em parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII) divulgado em junho deste ano, o Brasil decepciona.

No Índice de Inovação Global, elaborado pela escola de administração Insead, em parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII) divulgado em junho deste ano, o Brasil decepciona. Neste ranking mundial ocupamos umas das últimas posições e, na América Latina, ficamos atrás do Chile, da Costa Rica e do México. Nosso país possui importantes universidades, com professores formados nos melhores centros de pesquisa do mundo, um crescente número de jovens que conseguem ingressar nos cursos de graduação e uma excelente infraestrutura de comunicações. Apesar de tudo isto, nosso desempenho quanto ao registro de marcas e patentes divulgado, em 2014, pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual é desalentador: ocupamos o penúltimo lugar entre as nações.

Nossa economia se fundamenta em modelos exportadores de commodites, tais como minérios e produtos agrícolas. Para se ter uma ideia da desigualdade dessas relações comerciais, verificamos que é necessário vender quase cinco mil quilos de soja para se comprar um único Iphone. Os bens industriais produzidos em nosso território não agregam nada, ou muito pouco, de tecnologia elaborada em solo pátrio. Somos tão somente montadores.

A FAPERJ é o órgão do estado do Rio de Janeiro responsável pelo financiamento da pesquisa científica. A instituição vinha apoiando as universidades e patrocinando cientistas, que buscam desenvolver novos conhecimentos acerca de temas relevantes e estratégicos para o estado do Rio e o País. Os exemplos são inúmeros: energias, segurança pública, saneamento, serviços para refinaria e porto, construção naval e pólo gás-químico. Na área da saúde, a cura do Alzheimer, da Zika, do Aedes Aegypti e da chicungunha. Na avaliação de pesquisadores da instituição, a perspectiva é o fechamento de cerca de dois mil laboratórios ainda em 2017. Estamos diante de um retrocesso de vinte anos, tal a envergadura da crise que se instalou no setor. Importantíssimo lembrar que não se faz um pesquisador do dia para noite e muito menos se estrutura um laboratório sem um expressivo investimento ao longo do tempo. Nossas instalações em breve se tornarão obsoletas e nossos melhores cérebros ou irão procurar espaço em outros estados como São Paulo e Minas Gerais, ou pior: abandonarão o país para desenvolver a tecnologia e a inovação que se transformará em patrimônio estrangeiro. Todo o investimento feito até hoje será simplesmente perdido.

A riqueza das nações, na sociedade do conhecimento, deixou de ser as reservas cambiais ou a quantidade de ouro entesourado. Hoje, mais do que nunca, o bem mais valioso de um país é o seu próprio povo. Estou me referindo à capacidade de, através de uma educação que efetivamente cumpra com sua verdadeira missão, eleve um grupo expressivo de jovens ao desenvolvimento da pesquisa científica que irá dotar o Brasil do patrimônio imaterial mais valioso que pode existir: a inovação tecnológica em áreas como a farmacologia, a segurança, a neurociência, a nanotecnologia e as comunicações. Quando o estado do Rio de Janeiro abandona o investimento em pesquisa, está tomando uma decisão política que irá impactar radicalmente o futuro das próximas gerações. É a desastrosa opção por um modelo econômico fracassado. Ou o Rio de Janeiro opta por investir na formação dos jovens e na pesquisa científica para gerar inovação, ou estaremos condenados a este regime de dependência do valor do barril de um combustível fóssil, que vai cair em desuso em muito breve. A Alemanha já anunciou que vai banir carros a gasolina e diesel até 2030.

Com um modelo educacional ineficiente somado à inaceitável decisão do governo em abandonar o financiamento da pesquisa, não é difícil imaginar que tipo de país entregaremos aos nossos netos em um futuro próximo.

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